"Porém, mesmo com todas as vírgulas, pontos contínuos ou quaisquer outros sinais que indiquem pausa, tu permaneces em mim. Não porque eu queira, nem tampouco porque me esforce para “guardar sempre comigo as melhores lembranças” – como todos costumam fazer. Ando até escrevendo para me esvair um pouco, na verdade, tentando frustradamente passar para alguém ou até mesmo algo – uma folha de papel – tudo que ando sentindo, cada pedaço de dor, arrependimento e saudade também. Como era de se prever, não tem adiantado. Tu permaneces em mim por razões mais que óbvias, meu bem: tu te encontras não mais somente da minha mente, mas em todo o meu ser. Fez do meu coração morada fixa e acabou se espalhando por todo meu corpo, que agora setá eternamente seu. Mesmo tu separando-te de mim, não separo-me de tua pessoa. O nosso laço não pode ser rompido. Então, que assim seja."
indirect:
"Já quis amar sem limites, sem barreira alguma ou restrições. Já quis sentir borboletas no estômago, calafrios e rodopiar a cabeça de tanto nervoso. Também já desejei sentir aconchego, carinho, zelo e admiração, todos estes vindo de uma pessoa só. Já quis tanto, mas tanto. Sonhei alto demais e ainda assim, continuei subindo e subindo, criando esperanças como se não houvesse amanhã. Hoje, só espero poder sorrir sem farsa alguma e seguir meu caminho sem “pedramores” (amores-pedra, que só servem para te fazer tropeçar)."
indirect:
"Ela não vai mais te esperar. Na verdade, é bem provável que ela não espere por ninguém. Não mais. Ela se cansou, aquela mocinha. Tão nova e com um fardo tão pesado nas costas, já era certo que ela desejasse mudar todo aquele quadro ridículo que o destino sempre a colocava. Abandonou a bagagem, jogou fora todo o peso que carregava consigo em sua caminhada. Assim ela conseguiu correr, conseguiu avançar na vida e deixar pra trás os que tanto a machucava. Se sentia livre, enfim. Agora era ela por si mesma, fazendo o que desejava e sendo acompanhada apenas por aquelas que se esforçavam e corriam também para se manter próximos a ela. E de algum modo, era isso que a mantinha em pé, firme e forte. Saber que depois de tantas cicatrizes, depois de terem deixado seu coração remendado, existia pessoas que se mantinha diante dela a disposição de mante-la em pé. E era nesses momentos pares e tão cheios de reciprocidade, que ela se voltava para a vida; disposta a se doar, a se permitir e acima de tudo, se deixar levar não só por ela mesma, mas pela vida."
indirect:
O mancebo, a bela e a rosa.
Lá estava ela, a bela moça sentada junto ao jardim, na sacada para que com a luz lhe chegasse a vida que seguia na rua. A moça encontrava-se a costurar um longo e esplêndido vestido de seda cor de rubi que alguma dama vestiria.
Essa seda agora quieta, muda, logo farfalharia sobre mármores, passaria chamando a atenção de cada marmanjo presente para o corpo e cada passo dado pela dama que o trajasse, ondeando o vestido, exibindo e ocultando muito por baixa das pregas de seu chamativo vermelho vivo.
Assim ia pensando a bela, ao notar que uma gota de sangue havia caído sobre o tecido e manchado de forma quase imperceptível o traje.
“De onde poderia vir esta gota?”, perguntava-se em assombro a moça, enquanto verificava suas próprias mãos limpas. Correndo o olhar pelo lugar, notou que, de um vaso na sacada, uma roseira subia pela parede oferecendo apenas uma rosa flamejante.
“Foi ela” — esclareceu um besouro que parecia dormir sobre a folhagem. — “Foi do seu coração partido”. Mantinha o olhar longe, o besouro, quando prosseguiu — “Sensível demais, essa rosa. Um mancebo passou por aqui há alguns instantes e nem olhou pra la. Bastou isso para que ela se despetalasse toda e sofresse de amor”.
A donzela não tardou a debruçar-se na sacada. “Senhor, senhor” — gritava, mas nem tão alto, que não lhe ficaria bem. E agitava os braços, quase que em desespero.
O mancebo logo ouviu e, ao avistar tão bela moça debruçada no alto de uma sacada, envolta em sol, cuja trança pendia tentadora como uma escada, voltou. Pois aquela jovem, sim, aquela bela jovem o chamava.
Retornando sobre os próprios passos, atravessando um portão, subindo degraus… Tão rápido isso acontece quando se tem pressa. E eis que o mancebo estava de pé junto à sacada, junto à bela moça. Ela não teve nem ao menos tempo para dize-lo porque o havia chamado, que já o mancebo extraía seu punhal e, num só golpe, decepava a rosa para lhe oferecer.
Uma última gota de sangue caiu sobre a seda escarlate esquecida no chão. Entretanto, a moça costureira, que agora só tinha olhos para o mancebo, nem viu.
Rafaella Paixão
indirect:
"Saudade. Sentimento que consome, que maltrata, que rasga, pica, fragmenta a alma e a deixa assim — despedaçada. Em mil ou milhão de pedaços que não se completam novamente, parecem não querer mais se juntar. E dói estar divida, machuca não se sentir completa. O tempo, que muitos asseguram fazer os seus miúdos se juntarem novamente, de nada nos serve a não ser tirar a saudade de foco. Vai passando… Devagar. Não vai embora totalmente. Nunca vai. Os sentimentos ruins parecem sempre querer te acompanhar e isto é quase engraçado. Digo, engraçado porque muitas das vezes quando já nos consideramos quase curadas de toda a dor, de toda a nostalgia ou falta que um alguém nos causava, vem à tona aquele turbilhão de sentimentos. Vida ridícula repleta de sentimentos imutáveis. Queria eu poder tomar uma dose de esquecimento no lugar de doses de tequila; poder dar mil gargalhadas a cada lágrima que rolasse pelo meu rosto. Queria…"
indirect:
"Seguindo por ai com uma bagagem repleta de derrotas e lembranças de um pseudoamor, continuo. Continuo porque a vida é isso, aprendi na marra. Carrego um fardo pesado de receios nas costas, mas não paro não. A vida é isso, meu bem. É para os fortes mesmo. É para quem cai e — mesmo sentindo medo de levantar para caminhar mais uma vez — volta a ficar de pé."
indirect:
Por que não dancei na chuva?
Olhar pela janela do meu quarto já não era a mesma coisa desde que você saiu pela porta do mesmo para não mais voltar. É mais que evidente que nada mais permanece da mesma forma — nem o cheiro da cama e dos lençóis que costumavam ficar sempre emaranhados por causa das nossas noites repletas de amor, é o mesmo. Porém, agora, sentada de frente para esta janela de vidro, vejo tudo que vivemos como um filme à minha frente. Lembranças de um amor inacabado…
A chuva cai poderosa lá fora e tudo que me vem à cabeça é aquela bela tarde de inverno, onde, juntos como sempre, estávamos neste mesmo lugar onde encontro-me agora e tu me chamastes para encarar o vendaval contigo. Não quis, é claro. Queria porque queria ficar na cama e te aproveitar ao máximo, como se não existisse amanhã. Era sempre assim. Eu te devorava como se fosse a última vez, quase que com receio de te perder a qualquer hora e sentir como se não tivesse te aproveitado o bastante. E tu, ali, acarinhando-me e tentando a qualquer custo levar-me para passear sob a chuva friorenta que caia na rua.
“Vamos, meu amor. Prometo segurar-te pela mão, pela cintura, por onde quiserdes para proteger seu pequeno corpo do temporal. Corpo que é meu também e pretendo amar um pouco mais ao voltarmos pra casa” — lembro-me de você sussurrando ao meu ouvido daquela forma convincente como só tu sabias fazer. Quase cedi. Quase.
Não fui. Dentre tantos os lugares que pude, não senti teus braços cobrindo o meu corpo estando ambos molhados pela chuva. Não houve sensação de proteção contra o frio natural, contra todos e qualquer um que ousasse atrapalhar aquele momento que deveria ser apenas nosso. Arrependi-me. Arrependi-me de forma quase amarga demais.
Agora, sozinha, olhando pela bendita janela, vejo um jovem casal fazendo o que devíamos ter feito naquela tarde. E, inacreditavelmente, de uma forma mais que esplêndida, estes dançam como se estivessem sozinhos. Um com o outro. Um para o outro. Sinto uma dor inaceitável, nostalgia amargurante. Sem você e nem mais ninguém, estou a perguntar-me: “Por que não dançamos na chuva?”
Rafaella Paixão
indirect:
"Queria te pedir, quase implorar para que fique. Não desista de mim como os outros tem feito nestes últimos tempos. Peço com todo meu coração que não saia de mim, trancando assim, definitivamente, as portas do meu coração. Os outros eu não impedi, entende? Permiti que fossem pela direção que toma o vento, que partissem daqui e tomassem um rumo que os levasse para longe de mim. Mas você… Contigo é diferente, menino. Tu és diferente! Nós somos diferentes. Somos um encaixe perfeito neste quebra-cabeça sem sentido algum que são os nossos sentimentos. Por isso, te peço com todo a minha alma e coração: fique?"
indirect:
Simplesmente tu.
Tu és minha alegria e tristeza,
És minha felicidade e dor,
És meu receio, minha certeza,
Tu és meu amigo e meu amor.
Tu és meu céu, meu inferno,
És minha riqueza, minha pobreza,
És meu verão e meu inverno,
Tu és meu encanto e nobreza.
Tu és minha calma e aflição,
És meu tudo e meu nada,
És minha razão e meu coração,
Tu és meu atalho e minha estrada.
Tu és meu sol e meu luar,
És minha estrela e encanto,
És minha música e meu cantar,
Tu és meu sorriso e meu pranto.
Tu és a paz que reina em minh’alma,
És a memória que nunca será esquecida,
És a canção que me enleva e acalma,
Tu és tudo que impulsiona a minha vida.
Entre nós não existe vergonha ou pudor,
Não se fala em preconceito ou tabu,
O que mantém vivo o meu amor
E o meu mundo é, Simplesmente Tu…
Rafaella Paixão
indirect:
"É você, e sempre será você.
É você com as suas manias exageradas e as suas gargalhadas escandalosas. É você com o seu jeito de andar torto e com a mania quase insuportável de me amar. É você com a sua mania de mexer nos cabelos e a maneira como respira fundo quando dorme. É você aos finais de semana e o resto dos dias. É você se segunda à segunda. É você 24 horas por dia, 25, se duvidar. É você com todos os seus problemas e com o seu jeito de me reerguer. É você com a maneira ogra, e ao mesmo tempo, doce de me tratar. É você como um tudo. É você que eu quero… Com essas suas qualidades exageradamente perfeitas, e com esses poucos defeitos que nem ouso à comentar. Ou comento? Bem, é você com as suas birras e com a sua maneira totalmente grosseira de me tratar, às vezes. É você quando saí com os amigos e me deixa vegetando em casa. É com você que eu quero fazer as compras do mês e renovar os votos depois de alguns anos. É com você que eu quero trocar presentes de dias dos namorados. É com você que eu quero passar o resto da minha vida. É com você que a minha felicidade exagera. É com você que os meus sorrisos são os verdadeiros e os mais brilhantes possíveis. É com você que eu consigo enxergar as coisas. É com você que eu me perco, e com você que eu me acho. É com você que eu encontro abrigo e proteção. É você, com essas suas manias tão bobas e tolas que chega a me irritar ao máximo. É você de pijama, é você com roupa social. É você com o cabelo despenteado e com gripe. É você com dores, é você com alegria ou tristeza. É com você que as flores brotam, é com você que os frutos saem. É com você que a lagarta vira borboleta. É em você que eu penso ao acordar e ao dormir. É em você que eu penso quando escuto alguma música. É em você que eu penso ao escrever. É você com suas brutas e sistemáticas manias. É com você e somente você. Se o destino não nos reservou essa vida, mostremos a ele que está enganado. Se em mil vidas eu te amar, só te peço que em uma me dê a mão. Se não for você, quem vai?"
Alugue Felicidade. “É, com, em você”.
indirect:
"Claro que eu adoro minha casa, meu cachorro, meus amigos, meus livros, viagens, músicas. Tenho uma vida ótima. Mas nenhuma dessas coisas se comparava ao prazer que eu tinha ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando. Ou de quando o telefone tocava e eu sabia que era ele e o meu coração disparava tanto que eu tinha medo de morrer antes de falar alô."
Tati Bernardi
indirect:
Eu lembro como se fosse hoje dos nossos melhores momentos.
indirect: